O convívio com a solidão...
A imensidão da vida consiste na coexistência de vários seres e suas correlações com seus grupos de interesses afins. Estar vivo quer dizer estar em convívio, quer dizer estar em relacionamentos de diferentes modos, de características diferenciadas e de conflitos, por que não?
Das exigências que se fazem com o passar dos tempos, está o convívio social, o psicológico e o pessoal. De alguma maneira, não se pode viver sozinho no mundo, não se pode isolar-se por vontade ou mesmo sem intenção. Não há como experimentar a solidão absoluta, porque ela não existe. Ou existe?
Quando me vi sozinho apenas com o mundo, percebi que o conceito de solidão imposto aos meus conhecimentos até então, se equivocavam quando se questionava o que vem a ser o mundo. O que é o mundo?
No meio de pensamentos aprofundados e pouco razoáveis de sentimentos impensantes, locomovi-me sem perceber para o mais alto de meus sonhos e avaliei sua grandiosidade que eu acreditava ter. Será que tudo aquilo que eu havia sonhado me levaria a ser alguém solitário?
O que vinha, então, depois de respostas pouco rebuscadas era a sensação de que em alguns momentos de minha vida, perdi muito tempo com reclamações por não estar convivendo com aquilo que sonhei. E para a minha surpresa, não se tratava de uma sensação, mas sim, de uma conclusão. Será que ver a vida como eu sempre quis iria mudar realmente a minha realidade e aliviaria o que realmente restou dos conflitos daqueles momentos em que me senti tão só, será que quando atingimos nossos sonhos deixamos de ser mesmo infelizes?
Daí surgiu-me o medo de não saber mais quem eu queria ser e, muito pior, não conseguir enxergar quem sou, ou será que hoje sou o que restou da minha dor? Então, que a vida me leve pelos caminhos mais tortuosos e escuros, contanto que no final a minha realidade seja um estágio acima do que fui. Ou por mais que caminhe, sempre terei que enfrentar as dificuldades obscuras de meu próprio convívio?
Reclamar o tempo todo de um futuro que não vem é sim perder tempo! O sonho não é uma bandeira a ser fincada no pico do monte mais alto que o seu corpo pode suportar escalar, mas é um caminho detalhado de sentimentos escolhidos especialmente para construir uma linha de raciocínio que o fará perceber que as oportunidades da vida oferecidas lhe levarão para novos caminhos cada vez mais perto da mais bela visão do horizonte tão sonhado chamado de realização. Em resumo, conviver sonhando sem agir não é a mesma coisa que realizar o sonho. Conviver consigo mesmo não requer que você seja exigente consigo mesmo, mas que também ser preguiçoso com o mundo não o fará de você um conquistador, talvez um exímio falso expectador, ou um excelente contador de história, ou ainda um chato que comenta pra todos como seu sonho é lindo que se um dia Deus se compadecesse de sua situação você seria o novo salvador do mundo. Parar de reclamar melhora o seu convívio pessoal, faz você se suportar melhor e as pessoas ao seu redor não criarão mais um sentimento de impaciência com sua presença. Ou será que ser ignorado por alguns não faz a menor diferença? Se um já faz... não é não?
Se por alguma razão, alguma pessoa lhe procurar, entenda, você tem o que ela está precisando, ou pelo menos o que ela julgou que você tinha. Aceite, você também tem coisas que atraem as pessoas, aproveite e tente ser uma excelente companhia, só assim você criará vínculos que trarão boa aparência além de outros benefícios para você e sua fama positiva se espalhará automaticamente. Agora, saiba que assim como a lâmina corta para a frente, ela poderá ser mais impiedosa para trás. Ou seja, se por alguma razão, alguma pessoa lhe ignorar, entenda, você não tem o que ela precisa, ou pelo menos ainda não percebeu que tem, ou você não é atraente para ela, então, seja maduro e saiba que a insistência nessas horas, vira chatice e logo em seguida insuportabilidade. Mas se tal convívio faz sentido e falta, saiba comportar-se de uma outra forma, quem sabe uma pelugem de outra cor possa ajudar nesse imenso baile do acasalamento, mesmo que estejamos falando de amizade, que é algo bem parecido... Ou não?
O convívio social é algo que vive de aparências, então corte o cabelo, faça a barba e vista-se bem. Do contrário, sua maltrapilhiariedade fará de você um louco tentando mostrar que é diferente sem ser, ou se você souber, será louco do mesmo jeito. O cabelo grande pode ser sinônimo de romantismo, se você fosse um ator italiano ou espanhol cairia bem e seria melhor sucedido, mas quando falo de cabelo grande, falo da capacidade de moldar-se aos padrões do que se chama de social, pelo menos na minha época existia um corte de cabelo chamado curto social. O que será que isso significa mesmo hoje em dia?
A barba feita transmite um pouco de higiene e preocupação pessoal, coisas da boa imagem, mas isso realmente quer dizer isso ou será mais um padrão inventado pela sociedade?
E vestir-se bem? A moda rege as novas tendências e você é regido pelas rédeas que o mercador decidiu trazer para os seus animais de tração monetária, socialmente falando é claro.... Mas, espera, estou perdendo o foco... desculpe-me, é o convívio social que me fez esquecer que esse texto fala sobre convívios intrínsecos. Mas, antes que eu siga com mais asneiras, veja que ao se falar de socialidade, também fala-se de padrões e de coisas que modificam o seu comportamento social, e que portar-se individualmente de maneira idiossincrática poderá causar transtornos ou embaraços administrativos da grande massa de seres aparentes e impensantes, por que não? Esse convívio pode ser bom, mas seja sincero, a sujeição a isso é o sacrifício exigido para se alcançar um objetivo pessoal, não é? Sabia...
Se apesar de tudo isso, você sobreviver até aqui lendo esse texto, na certa passou por algum momento questionador em seus conceitos psicológicos, porque há coisas contraditórias aqui, percebeu? Na dúvida, deixe para lá. Mas enfim, o convívio psicológico é algo que requer argumentações bem mais sensíveis do meras críticas sociais ou pequenos conceitos pessoais, afinal, o psicológico é a nova moda social e se você ainda não atentou para isso, deveria preocupar-se em perceber o novo mundo das doenças emergentes e suas caracterizações, tudo agora exige um conceito psicossomático e uma visão mais holística da realidade das saúdes mentais existentes nos quadros sociais atuais. Chegamos a um ponto que nós inventamos nossas próprias doenças, que, engraçado, são oriundas de nossas outras invenções. O convívio psicológico é algo resistente ao tempo e aos novos conhecimentos, é mutante e evolui mais rápido que nossa mente. É como um parasita que vive em comensalismo com nosso cérebro e se aloja ali na medula oblonga, brincadeira, isso não existe nessa faculdade, fica em outro setor, mas faz bem pensar sobre isso, viu? Vale ressaltar que os pensamentos negativistas são vampiros de nossa fé, esperança e felicidade, então, um minuto pensando coisa ruim, não só atrai coisas ruins como faz você perder dois minutos de sua vida feliz. Pensar positivamente é plantar algo verde que não irá ficar marrom e nem roxo, mas sim em cores reluzentes, com tons pastéis, coxinha e risoles... Eita, devo ter pensado em comida, mas isso é bom... é positivo.
Mas enfim, o convívio psicológico será meu próximo texto. E eu que comecei esse texto pensando em solidão, acabei desistindo, faça assim, desista da solidão e prove que ainda dá pra ser feliz! =]
* * * Nathanael Araújo * * *

Eu tiro bons proveitos da solidão rs
ResponderExcluirmas confesso que ela tem dois lados:
o da luz e o da escuridão.
Bom texto, parabéns pelo conteúdo do blog!
Abraços
Bruno, a solidão é uma bifurcação dos nossos que nos oferecem experiências diferenciadas, cabe a nós saber usá-la a nosso favor e não deixar que ela nos consuma, nos usando a favor dela.
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