
"Hoje eu desejei estar perdido... quis então me perder dentro de mim mesmo, no que se refere à dores do passado. Voltar a perceber o quão doce é viver um sonho que hoje digo que possa estar abandonado pelo tempo que amargurou o gosto em minha garganta abaixo... Ou pelo frio que ressecou qualquer camada de pele que eu pudesse ter algum dia... É triste não ver mais com os mesmos olhos o que antes me encantava mesmo não tendo o sol para me ajudar... É bem traumatizante saber que haviam flores nesses campos que agora visito, e nem se quer o cheiro espalhado da decepção e do abandono eu sinto mais... É ruim não ouvir a voz de quem um dia chamei de Amor. Hoje passo despercebido do meu presente ao meu passado, sem que meu futuro me observe... ando analisando as pegadas apagadas e encontrando cacos dos estilhaços das miudezas detalhadas e deterioradas do amor que senti, que sinto e que não pressinto se sentirei depois da data marcada para o fim. Hoje, é apenas um retrato do acordo que não fiz comigo mesmo, sozinho e imponente ao meu próprio coração... Ou era isso, ou era a morte... ou se isso for a morte, que seja isso apenas... mas não o aceitar morrer em vida por falta de opção entre não querer mais cantar junto com o Amor... ou o próprio Amor ter esquecido como eram nossas canções. Porque uma coisa é assumir a culpa... sentir a dor... engolir o desgosto e esperar seus efeitos... outra coisa é você não ter culpa, lhe fazer doer e ferir, empurrar-lhe algo que não se esperava para dentro do teu ser... e ainda obrigar-te a esperar pela libertação da tua alma. Nunca jure, nem prometa sua liberdade a uma ilusão extremamente abstrata... do contrário você vai ficar viajando pelos espaços, entre o seu eu do presente e o fantasma que foi no passado... sem saber onde ficar, o que sentir, como agir... que pensamentos são seus e quais você foi influenciado a ter pelo coraçãozinho inocente que nunca tem culpa... quando daí a raiva para querer arrancá-lo sem poder... e se assim o fizer, aceita-se a morte em vida... que dilema... que vexame... amar sem ser amado e ainda depois ficar vagando dentro de si mesmo cheio de dúvidas perdidas no abismo que ainda insiste em escalar... ou caia... e nasça de novo... recomeçando do zero... ou continue a vagar no que "poderia ter sido e não foi", feito alma penada e sentenciada a eternidade do seu próprio destino e decisão... até o dia que tomares conhecimento de que não vale à pena se perder dentro de si mesmo para viver o passado... pois o futuro está esperando pelo presente. O meu futuro é o retrato do que faço nesse instante... e pretendo desenhar aqui, talvez assim, um Renascimento!"
(N. Araújo da Silva)
"O Amor não se define somente por coisas boas... mas, afinal, alguém já percebeu que as coisas ruins que definem o Amor é justamente aquilo que o ser humano mais conhece? O Amor é completo e suficiente por si só... porém, ninguém jamais o viu por inteiro... quem dirá tê-lo sentido como um todo... o Amor que se conhece é em parte!" (N.A. dS.)
Por...
(N. Araújo da Silva)
09/04/2012
"in quarentine"

Meio que chocante e muito tocante! .. ^^
ResponderExcluirTexto muito interessante!!
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