Minha vida pulsa em meu real imaginário oriundo dos meus lamentos desnecessários e prescindível para a aquisição de um estado de espírito confortável e verdadeiro livre da insegurança de sua duração ou existência. Quando não treme nas paredes arteriais de meus devaneios, fica aquém de tocar as paredes de minhas essências e assim, posso dizer-me desequilibrado igual a um bêbado que afoga mágoas ao invés de comemorar por conquistas infelizes, não esqueço das pedras que me fizeram tropeçar, mas também não aprendo que ainda assim tenho que chamá-las de pedras e somente isso, nada mais. Pois se continuar a viver olhando o futuro inexistente, porém amplamente e descaradamente desejado, deixando de lado o barro sujo e grudento que abraça minhas solas, perderei o significado da palavra "sonho" e então, não saberei explicar o que vem a ser "realização". Posso afirmar com toda a certeza que tenho em um quarto de século, que ser equilibrista em uma corda bamba entre dois prédios de vários andares, longe da segurança de manter-se firme por talento ou habilidade, mais parece proveitoso do que nunca ter aprendido a voar ou a voar sem querer, melhor do que ser um incrédulo nos poderes divinos e não saber ajoelhar-se, melhor do que ser cheio de vento e orgulhoso de si e cego às agulhas simples que a vida nos oferece, que por elas passam o sangue que nos deixa de pé, que nos faz sermos melhores que nosso passado e esperançosos para o amanhã, prefiro eu, deixar pulsar essa vida dentro de um imaginário real, pois serve de treino para quando eu esgotar meu laboratório estar satisfeito com meus produtos finais sem a angústia de nunca ter tentado viver. A vida é decorada com as cores que queremos.
(Um Sonhador)
